Com açúcar, com afeto

8 mar

 Sabrina Demozzi

Hoje, dia 08 de março, se comemora o dia Internacional da Mulher. Eu não só lá tão afeita a este tipo de comemoração, mas sempre acho um pretexto para falar de Chico Buarque. Como presente vou postar uma canção daquele por qual suspiram as mulheres de todo o Brasil. O homem dos “olhos de ardósia” que cantou como ninguém as angústias de ser mulher. Escolho em especial uma canção que mostra uma mulher meio submissa ao marido malandrão, mas fora isso, a canção é linda e cabe certinho aqui no temperomental.

A letra em questão é Com Açúcar, com afeto (1966) e conta a história de uma mulher que faz o doce preferido do marido para que ele fique em casa. O problema é que ele é safado e vive nos bares da vida paquerando a mulherada. Mas, a mulher dele não cansa e sempre faz o doce.  Pensando nisso, fiz uma breve especulação, sobre qual seria esse quitute. Primeiro pesquisei qual é o doce mais popular do Brasil, depois fiz uma pesquisa de opinião e por fim, consultei uns malandros que gostam da iguaria.

Difícil é chegar a um consenso sobre qual é o doce que mais se popularizou no Brasil. Existe uma infinidade de estudos sobre o assunto.  Sabe-se que há muita influência de Portugal e dos africanos na tradição de se fazer os doces. Também há questões regionais e de comemorações festivas. Por exemplo, há doces que aparecem mais em certas épocas como a canjica, em São João e o pé de moleque. Há doces tipicamente nordestinos como a tapioca e a cocada.   

No site Jangada Brasil há um texto de Luiz da Câmara Cascudo (Superstições do Brasil) sobre os doces de tabuleiro. Retirei um trecho interessante que diz que “os doces de tabuleiro são como uma constante etnográfica. Indicam a democratização, o coletivismo de certas fórmulas antigamente dedicadas às festas aristocráticas ou mundanas, beijos, raivas, sequilhos, alfenins, suspiros. Outros que vieram do povo, sem especiaria, como a cocada, cuscuz, farinha de castanha ou de milho, puxa-puxa feito de mel de engenho. Outros foram experiências, golpes de gênio que conseguiram vitória para todos os sabores”. 

É muito doce: suspiro, pingo de limão, beijinhos, pamonha, doce seco (rapadura), arroz-doce, cuscuz (creme de milho), creme de arroz.  Mas, de acordo com as minhas pesquisas de opinião homem gosta mesmo é de Pudim de Leite. Não todos, é evidente. Mas o malandro da música vive pelos bares e se você quiser encontrar um doce em boteco é o Pudim. Tem a queijadinha, mas o Pudim é quase certo.  

Consultando o livro de Ana Judith de Carvalho “Comidas de Botequim” as principais sobremesas são o arroz-doce, a canjica com leite de coco, cocada-puxa e o pudim de leite.  Também levei em conta o fato de que, provavelmente, este casal vive no subúrbio do Rio de Janeiro. A época é 1966 e é possível que a situação financeira não seja uma das melhores. Portanto, a mulher deve fazer o doce com produtos regionais, baratos e de fácil aquisição. Vou especular então que o doce predileto do malandro é mesmo o Pudim de Leite

fo15serro_pudim_leite_condensado1.jpg 

Abaixo o vídeo de Chico Buarque e Nara Leão cantando “Com açúcar, com afeto”. No vídeo o Chico conta que escreveu a canção, a pedido  da gloriosa  Nara Leão. Ficou perfeita. Vale a pena clicar.    

 

 

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Uma resposta to “Com açúcar, com afeto”

  1. Wagner março 10, 2008 às 2:26 am #

    A este que comenta uma mulher o prenderia se acertasse a mão na cocada… Cocadaboa…
    Excelente blog, persupuesto!

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