A Festa de Babette

25 mar

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“O artista só espera uma oportunidade para oferecer sua arte ao público.”

No próximo dia 19 de abril o canal da televisão paga “Tele Cine Cult” vai exibir um clássico do cinema gastronômico. O filme em questão é o maravilhoso “A Festa de Babette” do diretor dinamarquês Gabriel Axel. Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes a obra é um primor de roteiro e interpretação. A atriz Stéphane Audran interpretando a misteriosa Babette vale o filme.

Para quem não conhece a história aí vai uma breve sinopse: Em uma longínqua (e bota longe nisso) vila na costa da Dinamarca vivem as irmãs Martina e Philippa que são filhas de um pastor protestante muito devoto que prega a salvação humana por meio da renúncia. As irmãs abrem mão de suas paixões na juventude em nome da fé e das suas obrigações e mesmo após a morte do pai elas ainda se esforçam em manter viva a tradição religiosa do pastor entre a comunidade. Em um dia chuvoso chega à casa das irmãs, Babette. Uma misteriosa refugiada da guerra civil Francesa que pede encarecidamente que as irmãs deixam-na ficar ali e não se importa em trabalhar de graça para elas.

A partir deste momento a vida das irmãs e das pessoas do pequeno povoado começa a mudar. A relação entre as irmãs e Babette é amistosa. Tanto que em uma cena elas a ensinam a fazer uma sopa de pão preto que ao que parece é a única coisa que elas sabem e podem comer, uma vez que renunciaram aos prazeres da vida para obedecer aos ensinamentos do pai.

Num determinado dia elas recebem uma carta de Paris e receosas a entregam a Babette. Na verdade, ela ganhou um grande prêmio de loteria e se oferece para preparar um banquete na comemoração do centenário do pai falecido das irmãs. A partir deste momento o que se vê é a busca de Babette pelos melhores ingredientes.

Ela não mede esforços, inclusive para encomendar produtos da França. Os mais velhos do povoado se assustam com aquela infinidade de mercadorias que jamais provaram. São codornas, uma tartaruga enorme, legumes e temperos. Enquanto trabalha, ela não imagina que os moradores estão assustados com a perspectiva deste jantar, pois acreditam que vão perder as suas almas por deleitam-se com os prazeres terrenos. Sendo assim resolvem boicotar o jantar, ou seja, não vão tecer nenhum comentário sobre o que é servido.

 O que é impossível. Um dos convidados é um general que foi apaixonado por uma das irmãs e que teve a oportunidade de jantar nos melhores restaurantes da Europa. Qual não é a sua surpresa ao se deparar com um verdadeiro festival de harmonização: a sopa de tartarugas, o Amontillado, o Blinis Demidoff e quando bebe estarrecido a champagne Veuve Clicquot 1860 com a “Cailles en Sarcophage” (Codorninhas marinadas recheadas com trufas e foie gras em cestinha de massa folhada) e para finalizar um clássico Clos Vougeot 1845. Ele impressionado conta que só comeu assim em um famoso restaurante de Paris: O Café Anglais (um dos mais famosos restaurantes parisienses da história). E o resto eu não posso contar.

O filme é uma elegia da boa mesa e mais ainda da sublimação que o alimento pode nos proporcionar. Todos os nossos sentidos são testados nas belas cenas de Babette preparando o seu famoso banquete, um dos momentos mais memoráveis da história do cinema. Para quem não tem TV paga a dica é alugar o DVD ou comprar, a média de preço é R$ 19. Imperdível. 

 

    

 

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