Prefiro Marta

14 abr

Sabrina Demozzi

Algumas pessoas me mandaram e-mails perguntando o que eu acho do filme “Sem reservas” (2007) estrelado pela gaulesa Catherine-Zeta Jones (Chicago) e pelo ator Aaron Eckhart (Obrigado, por fumar). Bem, o filme é bem a cara do diretor Scott Hicks (Shine) hermético, colorido e com atuações, digamos, honestas. O fato é que essa produção é um remake bem fiel (bem) à produção germânico-italiana “Simplesmente  Marta” (2001) que é de longe meu favorito. Não só pela excelente atriz Martina Gedeck, mas porque, diferente do filme americano, tudo em “Simplesmente Marta” faz sentido.

Em uma breve sinopse: A chef de cozinha Marta (em Sem Reservas virou Kate Armstrong) vive pela gastronomia. É uma chef bastante conceituada que vai do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Não é muito sociável, é perfeccionista e não admite interferências em seu trabalho. Desse modo, refugia-se em seu trabalho esquecendo-se do convívio familiar e social. Uma tragédia em sua família vai mudar seu cotidiano e concomitantemente a vinda de um novo chef (em Simplesmente Marta é um italiano, o ator Sergio Castellito) muda também os rumos profissionais e afetivos. Ah, ela também atormenta a vida do seu terapeuta com essa obsessão pela perfeição na cozinha.  

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Até aí tudo bem. A diferença de um filme para outro é que esse chef que aparece para mudar a sua vida é o ponto crucial da trama, porém, na produção americana esse pequeno detalhe ficou renegado a um segundo plano. Ora, você imagine uma chef alemã (sistemática, silenciosa, organizada) que de repente se vê frente a um italiano que só trabalha ouvindo e cantando ópera, (faz mais sentido quando se é italiano) isso quando não resolve dançar na cozinha. Além disso, quando ele chega toda a brigada de serviço se encanta (quem não se rende aos encantos dos italianos) com esse novo método de trabalho. Já no americano, é um chef que se vale de galanteios para conquistar a chef durona. Fica plástico demais. É como se fosse mais uma das comédias românticas só que ambientado em uma cozinha.

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Fico com a delicadeza de “Simplesmente Marta”, com a trilha sonora, com o piquenique no chão da sala e na degustação às cegas que o chef italiano faz para Marta. É uma elegia à sensibilidade diferente da beleza inacreditável de Zeta-Jones e o cinismo galante de Aaron Eckhart.  Sou mais a simplicidade de Marta. Mas, quem quiser deve assistir aos dois e escolher qual gosta mais.

Para encerrar há uma cena ao final do filme que eu adoro: Marta vai ao consultório de seu psicanalista e ele fez um bolo que ela ensinou. Quando ela vai degustar, Marta diz que não está bom e afirma que ele não usou o açúcar belga que ela havia indicado. Ele responde: – Não acredito que você sabe qual açúcar eu coloquei no bolo!

E ela responde: – Não sei mesmo. Sei qual você não colocou.

Essa cena vale o filme.

Fichas técnicas:

Simplesmente Marta

Título Original: Mostly Martha/ Drei Sterne

Ano: 2001

PAÍS DE ORIGEM: Alemanha

IDIOMA: Alemão/Italiano

DURAÇÃO: 195 min

DIRETOR: Sandra Nettelbeck

ROTEIRO: Sandra Nettelbeck

ELENCO: Martina Gedeck; Sergio Castellitto; Máxime Foerste; Ulich Thomsen; Katja Studt; August Ziener; Sibylle Canônica

 

Sem Reservas

Título Original: No Reservations

Gênero: Comédia Romântica

Ano de Lançamento (EUA / Austrália): 2007

Site Oficial: http://www.semreservas.com.br

Direção: Scott Hicks

Roteiro: Carol Fuchs, baseado em roteiro de Sandra Nettelbeck

Trailers:

 

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