VOCÊ é o que você come?

27 ago

Depois da “espetacularização” da figura do chef de cozinha passamos agora por uma onda de “você é o que você come”. Não vamos nem entrar no mérito de grupos com alimentação estrita por motivos de ideais, opções ou de saúde. Falo da enxurrada de programas em que nutricionistas deste ou de outros países nos dizem o que comer. Vemos ex-obesos desfilando 15, 20, 40 quilos a menos em programas que ganham cada vez mais adeptos.

Um gordinho estes dias disse para a nutricionista triste – Me deixa comer um doce, um só, pelo amordedeus! Impiedosa, ela acabou com o gordinho e o mandou saborear um delicioso suco de couve com maçã verde.

É a onda da assistência “at home” que chegou à alimentação. Se os pais não conseguem criar seus filhos direito chama uma babá midiática, se eu não consigo perder peso, preciso de uma nutricionista que pegue em minha mão e diga que sim, é possível. Porém, quando as luzes se apagam, a história é outra. Serve como inspiração? Por que não? Pode motivar? Com certeza. Mas é a resposta para todos os nossos problemas, absolutamente não. Vi o Josimar Melo falar sobre isso em seu blog na semana passada. Ele questionava sobre como as pessoas podiam alardear por aí a tal da “ração humana”. Eu sempre pensei isso. Ração? Que nome mais horrível para algo que vai servir de alimento. Bastou aparecer em um programa que todo mundo saiu comprar a tal da ração. Depois do post dele eu comprei e foi uma das piores coisas que eu já provei na vida.

Comer é um prazer. E deve ser encarado assim, em minha opinião. Como tudo na vida, o excesso é prejudicial e sou contra. Mas, sou contra também ver  pessoas serem humilhadas por suas escolhas alimentares. Isso é prejudicial porque cria um problema muito maior do que o do peso. Cria a culpa. Cria a vontade desenfreada de comer e fazer uma cirurgia bariátrica. Cria comparações. Cria outros medos.

Um programa de TV é só um programa de TV. Tem trilha, recursos, enquadramentos que tem por objetivo não só mostrar o que se está vendo, mas supervalorizar o que se está vendo. Ou subvalorizar como é o caso de determinados programas. Neste caso, nem tudo é verdade.

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