Arquivo | setembro, 2010

Impressões sobre o evento Restaurant Week em Curitiba

29 set

Sabrina Demozzi

Eventos como Restaurant Week tem como objetivo , creio eu, movimentar o cenário gastronômico de uma região abrindo as portas dos estabelecimentos para um público diferenciado e diversificado. Os preços, convidativos, chamam a atenção e possibilitam que pessoas que comumente não iriam a determinados restaurantes possam frequentá-los. Até aí tudo ótimo.

O fato é que em Curitiba muitos estabelecimentos ainda não “captaram” o espírito da coisa. No site do evento, onde os cardápios estão disponíveis há estabelecimentos que confundem um cardápio especial com um cardápio barato, oferecendo pratos semelhantes aos pratos executivos servidos no horário do almoço. Em outros casos a descrição dos pratos, assim como as fotos, são infinitamente superiores ao que é servido. Além disso, acho realmente que o site deveria ter um espaço onde as pessoas pudessem compartilhar suas impressões sobre os restaurantes, pois só há espaço para INDICAR OU VOTAR no cardápio oferecido pelos restaurantes.

A mídia “especializada” costuma fechar os olhos para este tipo de situação vendendo uma proposta que em muitos casos não cumpre o que promete. Seria adequado que se fizesse um “pós-Restaurant Week” para avaliar as impressões do público, caso isso já não seja feito. Eu apóio a iniciativa e sempre vou. Mas nas duas edições, tive a mesma impressão em estabelecimentos distintos: atendimento que deixou a desejar, comida questionável e muitos cardápios pobres em criatividade e elaboração.

Como diria minha amiga Isa, #ficaadica para que estes pontinhos sejam pelo menos observados e aprimorados nas próximas edições do evento. Com certeza, a iniciativa é ótima tanto para os restaurantes quanto para o público, e não são todos os estabelecimentos que agem de maneira digamos, pouco cuidadosa, com seus clientes (e futuros frequentadores) muitos lugares oferecem o que tem de melhor em termos de serviço, cardápio e preparações, e é para estes lugares que o cliente sempre volta com Restaurant Week ou não.

Anos 80 “food fellings”

27 set

Da mesma maneira que a cultura, a gastronomia também passa por evoluções. De um modo geral, podemos dizer que a gastronomia no Brasil na década de 80 passou por grandes modificações que delinearam um pouco o que se servia na época e que serviram como base para muitos restaurantes montarem seus cardápios.

Por exemplo, com o acesso mais facilitado a produtos importados e também com uma especialização da mão de obra, buscando profissionais com formação acadêmica a cozinha na década de 80 passou  a incorporar outras receitas, em especial receitas do “mundo”, consagradas nas revistas e livros. Dos inúmeros livros da época percebe-se o traço comum das receitas super-produzidas, dos ícones dos países e também a desmistificação de pratos clássicos. Inicia-se uma nova era de “releituras” de pratos regionais e preparações brasileiras, valorizando as culinárias dos estados.

Não sei se há um prato que caracterize esta época, mas encontrei algumas receitas comuns em livros antigos e muito bons. Como o Cláudia Cozinha que reúne receitas das diferentes décadas. Um dos que eu me lembro que era motivo de festa na minha casa era a do “Camarão na Moranga”:

http://receitas.maisvoce.globo.com/Receitas/Peixes_Frutos_do_Mar/0,,REC20384-7773-55+CAMARAO+NA+MORANGA,00.html

E a do Fricaseé de Frango? Uma receita que eu adoro, é tão fácil e gostosa e a gente sempre esquece de fazer.

http://tudogostoso.uol.com.br/receita/10254-fricasse-de-frango.html

Quando eu comia carne vermelha eu me lembro de ficar com a barriguinha estufada de tanto comer Madalena de Carne Moída com salada de tomate e alface, temperadinha com cebola roxa, sal e vinagre (minha mãe enche de vinagre):

http://cybercook.terra.com.br/receita-de-madalena.html?codigo=2546

E doce? Vinham nas latas de leite condensado muitas receitas deliciosas. Quem nunca comeu Manjar de Coco com calda de ameixa?

http://www.receitasedelicias.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=788&Itemid=5

E pra fechar minha mãe me ensinava a fazer balas. Balas de leite:

http://mundodesabores.com.br/receitas/bala-de-leite

* Isso tudo são lembranças que eu tenho já que sou uma pessoa da década de 80… Não tem caráter acadêmico nem nada, eu precisaria estudar bastante para poder fazer um texto mais elaborado. Mas, vale como dica e ideias para a gente resgatar coisas gostosas e chamar os amigos para comer manjar e ouvir Bon Jovi.

Revival: receitas da década de 80

22 set

Uma pessoa muito legal fez um comentário no blog e me pediu que eu colocasse umas receitas da década de 80. Como é muita coisa e eu preciso dar uma pesquisada, vou ver se posto no final da tarde um post bem bacana sobre isso. Vou ver se invento um cardápio de entrada, prato principal e sobremesa em homenagem aos anos 80. Minha mãe tem uns livros com estas receitas e eu adorava ver. Quanta manteiga, quanta gordura, quanto carboidrato…  E o açúcar então?

Páginas Delicatessen e Técnicas de Cozinha em vídeo atualizadas

18 set

Acabei de atualizar as páginas com informações bem interessantes. Na “Delicatessen” você vai encontrar a diferença entre extrato e essência de baunilha e também entre funcho e erva doce.

Nos vídeos adicionei um que ensina o Corte Julienne, o outro (espanhol) que mostra o corte Brunoise e outro de um senhorzinho que ensina a afiar facas. Bem bacana!

Os doces de Pelotas

18 set
Crédito da imagem: Vinícius Costa

Alguns dos famosos doces de Pelotas

*O crédito da imagem é de Vinícius Costa.

Sabrina Demozzi

Meu “parça” Thiago Valério me fala dos doces de Pelotas há pelo menos 1 ano.  Fiquei esperando todo este tempo pra provar os doces já que não tenho como ir até Pelotas buscar. Depois do feriado de sete de setembro, ele me chega com umas caixinhas entupidas de doces. Dos doces de Pelotas.  Chega o tão esperado momento de enfim conhecê-los. Abro uma caixinha, pego um que é chamado de trouxinha de nozes, e me acabo. #Peloamordedeus, que delícia ou “delicatessen” como diria o Thiago. Não sou uma pessoa de doce, mas estes me fizeram repensar este conceito. Tem um que é como um ninho de fio de ovos com um creme mole de ovos.  Meu favorito. A trouxinha de damascos então… Bah, tchê!

Pelotas é considerada a Capital Nacional do doce e promove inclusive a Feira Nacional do Doce- Fenadoce desde 1986. De acordo com o site da organização é um evento anual realizado para promover a cultura doceira da cidade de Pelotas – RS para todo o Brasil e exterior. “Os famosos doces pelotenses, herança da colonização portuguesa, alemã e italiana, são responsáveis pelo desenvolvimento do setor doceiro que exporta as iguarias para diversas cidades do Brasil.”

Aliás, é esta troca de culturas de diversos povos que possibilitou uma variedade considerável de tipos de doces. São receitas passadas de geração para geração e que tem caráter simbólico. Além disso, a produção artesanal torna esta cultura doceira muito peculiar. Claro, que há industrialização, mas ainda há produtores que se valem do trabalho manual, passado de pai para filho com o objetivo de perpetuar tradições neste segmento.

Quem quiser ver imagens dos doces, baixar as receitas em PDF, ver textos sobre a Fenadoce ou saber mais detalhes, acesse o site da organização. Eu já baixei várias e estou ensaiando fazer alguns.  Tem desde doces caseiros e compotas  até doces finos. Procure por elas no link:doces de pelotas.  Vale o clique:  

http://www.fenadoce.com.br/texto/a-cultura-doceira 

Remando contra a maré

14 set

Sabrina Demozzi

Como falei no post anterior li recentemente o livro de Miguel Sen “Luzes e Sombras no Reinado de Ferran Adriá” (2009) publicado pela Editora Senac- São Paulo. Já havia ouvido falar do livro, mas só agora tive a oportunidade de entender o porquê o livro causou tanta polêmica.

Em parte é compreensível já que o autor, um jornalista e crítico gastronômico catalão, faz uma crítica contundente à “cozinha espetáculo” de Ferran Adriá e levanta a questão de que o chef catalão criou uma tendência que não admite críticas, mas sim gera legiões de imitadores pelo mundo. Para o jornalista, há também excesso de adulação e uma cultura de *normose em relação à gastronomia, favorecida em grande parte pelo grande apelo midiático que a gastronomia molecular trouxe.

Uma discussão bastante pertinente e que traz além da crítica ao método de Ferran Adriá um outro debate: o da aceitação incondicional de verdades no mundo da gastronomia. Estas verdades vão passar por diversos campos: saúde, nutrição, métodos culinários e a espetacularização da culinária. Cada uma destas verdades vai trazer um tipo de implicaçãoe cada uma possui características bem distintas em sua linguagem, métodos e discursos.

O foco que mais me chamou  a atenção no livro de Sen, já que sou jornalista também e trabalho com isso, é realmente o fato da “cozinha-espetáculo”. A discussão não é ser a favor ou contra, mas sim levantar a questão para uma cultura gastronômica que cada vez mais se afasta de suas raízes para apresentar *simulacros de uma gastronomia regional, contemporânea ou molecular. Sen vai fundo e diz que ao contrário do que o mundo pensa, Adriá não cria nada, mas sim reinventa em cima do que já existe, o que não deixa de ser verdade.

O livro de Miguel Sen é uma excelente maneira de exercitarmos nosso pensamento crítico em relação à mídia gastronômica. Pelo menos pra mim, este exercício é importante para questionar, levantar questões e sugerir outras informações diferentes das que comumente costumamos ver. Em alguns momentos, o livro é um tanto “agressivo” e se mostra um pouco conservador, mas a leitura é válida.        

   

Luzes e Sombras no Reinado de Ferran Adriá

Autor: Sen, Miguel

Editora: Senac São Paulo

Categoria: Gastronomia / Alimentos

R$ 58,00

* Glossário: normose- “A normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade.”

Simulacro- s.m. Imagem, cópia ou reprodução imperfeita.
Aparência, semelhança, arremedo: simulacro de governo.
Fingimento, simulação: simulacro de combate.

Anthony Bourdain fez há um tempo atrás uma “incursão” pela gastronomia molecular de Ferran Adriá em uma visita ao El Bulli. Vale como ilustração.

Petrópolis e a saga da comida fria de hotel

13 set

Quando eu viajo, gosto muito de conhecer a culinária regional. Ver qual é a tradição, a cultura alimentar, como as pessoas preparam determinados alimentos e por aí vai. Fiz uma viagem para Petrópolis e dei uma passada em Parati no último feriado e saí meio chateada. Não com as cidades e nem as pessoas: aliás, isso foi o melhor da viagem. Mas, sim com alguns detalhes da organização da viagem que acabaram por oferecer um serviço questionável no quesito conforto e também qualidade das refeições. Não vou citar o nome, mas aproveito o espaço do meu blog para levantar esta questão: a de comprar gato por lebre. E um gato de má qualidade.

A maioria das pessoas não reclamou, não sei se por educação ou outro fator, mas se tem uma coisa que me deixa *p da cara é ser enganada. Comida mal feita, fria e de qualidade ruim (quando se está pagando uma soma considerável por isso) é algo que eu não aceito. Ficamos em um hotel em Petrópolis, bastante confortável, que servia uma comida feita às pressas, fria, feita sem capricho. Percebi ainda um reaproveitamento de alimentos mal disfarçado e uma demora no serviço.

As pessoas podem achar que eu sou exigente demais. Em parte é verdade. Mas, eu conheço o valor do meu dinheiro e exijo qualidade, pois tudo que faço na vida é baseado no princípio do fazer bem feito, com carinho e dedicação. Em segundo lugar: é uma falta de respeito muito grande com as pessoas oferecer alimento de qualquer maneira. Não sabe fazer bem: não faça. E não estamos falando de gastar com ingredientes caros, contratar chefs estrelados ou algo do tipo: estou falando de aproveitar bem os ingredientes que se possui, estudar receitas e variações, mudar o cardápio com produtos da estação. E por favor, manter o réchaud aceso quando servir uma sopa.

É pedir muito?

*Mas, como nem tudo está perdido conheci um lugar delicioso parecido com o Bar do Pudim aqui de Curitiba. O “Recreio do Bacalhau” que ficava na Rua 13 de maio, perto da Catedral em Petrópolis. Atendimento 10, cerveja gelada e bolinho de bacalhau quentinho, macio e saboroso por R$ 3,90 a unidade. Também pedimos uma porção de pastéis de camarão (R$ 12) que eram meio pequeninhos, mas o recheio estava delicioso.