Gastrochatos: você conhece?

9 fev

Sabrina Demozzi

Imagem do filme "A Comilança"

A Comilança ( (La Grande Bouffe), 1973

O André Barcinski que é crítico da Folha de S. Paulo  fez estes dias um post em que discorria sobre a “comida ogra”. Bem divertido (como não é sempre) André listava o que pra ele é a gastronomia ou comer bem. Vou listar os dez mandamentos dele ao final do post e vocês vão entender o que estou falando. O André um dos críticos que eu mais gosto porque algumas vezes ele critica com classe o que eu curto em cinema e música. Ele até já me incluiu na categoria de um “público-coxinha” de um show do SWU, mas isso é outra história. Como ele mesmo disse, a crítica serve pra abrir os olhos para outras perspectivas e muitas vezes não é pessoal como a maioria das pessoas acha: atacar a crítica porque ela foi desfavorável ao seu gosto cultural. Não é bom nem ruim, é crítica.

Daí que o André fez uma lista de lugares que servem “comida-ogra”: muita gordura, carne vermelha, queijo, fritura. Agressividade. Em contrapartida ele fala de como é chata essa onda da gastronomia-conceito. Como surgiu nos últimos anos entendedores de espuma, presunto, cerveja, vinho, cachaça, água, azeite… O prato conceito substituiu a vontade pura e simples de uma boa refeição ao lado de gente interessante. É claro que devemos respeitar quem ganha sua vida trabalhando com isso. Sabemos que a boa cozinha exige pesquisa, estudo, dedicação e não estamos aqui para desmerecer quem faz seu trabalho. Mas, daí o cara me servir uma espuma que vibra ao som da música do IPod já é meio demais.

Comida boa é a que você gosta. Seja ela espuma, esfera, bife a cavalo ou dobradinha. Mesmo eu que estudo gastronomia e tenho uma paixão absoluta pelo alimento considero meio chato essa onda moderna de classificar tudo, de enquadrar tudo dentro de um modelo. Leio algumas revistas de gastronomia  que me dão a impressão de que a gastronomia é inacessível, que faz parte do conhecimento de um seleto grupo de semi-deuses ungidos pelo óleo da sabedoria escoffiana. Quem foi que disse?

A popularização da alta gastronomia e o acesso a produtos importados, bem como o crescimento do setor de alimentação fora do lar foram fatores que ajudaram a gastronomia ser reconhecida com o que é hoje. Nada mais democrático. Mas democrático também é o nosso direito de argumentar e achar meio demais clubes fechados dos “degustadores de azeitonas do Monte Python” ou “ da última cerveja inventada pelo mestre genial ungido pelo óleo da genialidade Ferran Adriá”. Não é?

 

Segue abaixo a lista criada pelo André Barcinski. Quem quiser ler o post dele e enviar um comentário com ele o link do blog é o: http://twixar.com/4KoKy5G. Lembrando que a opinião dele nos tópicos abaixo não reflete NECESSARIAMENTE a opinião da autora desse blog. Talvez um, dois, ok vá lá 6 tópicos…. mas nem pelo corpinho do meu Chico Buarque estendido no chão eu conto quais são…

Por André Barcinski

 

1 – Não pode ter nome começando por “Chez” ou terminando por “Bistrô”

2 – A comida precisa ocupar ao menos 85% da área total do prato (com preferência a iguarias com uma taxa de ocupação de mais de 100% dos pratos, como bifes que caem pelas bordas dos pratos)

3 – Não pode ter “chef”, e sim “cozinheiro”.

4 – Não pode ter “menu”, e  sim “cardápio”

5 – Algumas palavras estão terminantemente proibidas nos cardápios. A presença de qualquer uma delas significa exclusão imediata da lista. São elas: “nouvelle”, “brûlée”, “pupunha”, “espuma”, “lâmina”, “lascas” e “contemporânea”

6 – Não pode ter filiais

7 – Os garçons não podem ser modelos, manequins ou atores, com preferência para garçons velhos e feios

8 – Os garçons precisam passar no teste da colherzinha, que consiste em servir arroz com uma só mão, juntando duas colheres, sem derramar um grão sequer

9 – Não pode estar localizado nos seguintes bairros: Vila Olímpia, Itaim-Bibi, Moema e Vila Nova Conceição (era um guia de Sâo Paulo!)

10 – O teste final: se o garçom, ao ser perguntando “o que é ‘El Bulli’?”, responder qualquer coisa que não seja “é onde eu sirvo o café”, o restaurante está sumariamente eliminado”

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5 Respostas to “Gastrochatos: você conhece?”

  1. naoaguentomaisele fevereiro 9, 2011 às 1:29 pm #

    Na minha lista de ogros da capital paranaense: Pudim, Becks, Montesquieu (só durante o dia) e Tartaruga.
    Posso dizer que amo esses lugares.
    É onde me sinto bem e certamente não serei importunada por clientes nada agradáveis.
    A cerveja está sempre bem gelada, a comida é excelente e o preço melhor ainda.
    No caso do Montesquieu, sempre tem laranjinha ou qualquer refri água da serra. Um lanche tipo pastel, bolinho e refri sai por menos de 4 reais. E a fome só vai bater no fim da tarde.

  2. Ale fevereiro 9, 2011 às 2:38 pm #

    Então, sou avessa a extremismos e radicalismos. Em quer área. Na comida, então, nem se fala. amo provar, conhecer, saber que existe mas tenho minhas preferências. Um prato bacana com uma cervejinha especial me agradam. Mas o fantástico bar do Pudim, o Miltinho, bolinho de queijo com skol me deixam muito feliz, tb. Da mesma forma. Sem colocar nenhuma das versões em patamares diferentes. É o cheirinho bom, é o queijo derretendo, a cerveja gelada até o fim, é o brigadeiro ou o crepe com calda de laranja pra finalizar.
    Mais um post ótemo, Sá.

  3. Juliana Camargo Horning fevereiro 9, 2011 às 2:46 pm #

    Equilibrado, sensato, sensível. Adorei!

  4. Polliana Coelho fevereiro 28, 2011 às 1:26 am #

    Oi, Sabrina

    Virei sua leitora assídua. Principalmente depois que comecei a atender um restaurante novo aqui em Curitiba. Eu, que não entendia nada dessa área, até que comecei a gostar e entender um pouco mais sobre gastro com os seus posts.
    Parabéns!
    Bjão
    Polli

    • temperomental fevereiro 28, 2011 às 10:40 pm #

      Obrigada mesmo por comentar. Estou me esforçando para que essa seja minha especialização mesmo… Fico a disposição, caso precise de alguma informação mais específica. Eu gosto tanto de gastronomia que nem considero trabalho!

      Beijo e obrigada mais uma vez,
      Tudo de bom!

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