Arquivo | abril, 2011

O que é considerado preço justo em uma refeição?

27 abr

Lá vou eu com essas perguntas super abrangentes que tem um milhão de respostas… Mas, é uma pergunta boa: o que é preço justo em um restaurante? Já considerando todos os profissionais envolvidos, custo de insumos, custos do restaurante, cozinha, tempo para execução, pesquisas, enfim: tudo.  O que pode ser considerado justo. Para o consumidor, no caso. No  dicionário online de português Justo como adjetivo pode significar “homem justo. Conforme a justiça, à equidade: sentença justa. Conforme a razão, à verdade: pensamento, raciocínio justo. Que é exato: balança justa. Apertado: paletó muito justo.

Justo pelo menos para mim considerando todos esses fatores é um estabelecimento cobrar um preço condizente com o que está oferecendo, assim frango com batatas não poderia (não deveria) custar R$ 35,00. Dias desses fui a uma pizzaria muito agradável em Curitiba que tem em seu cardápio um pão com 16 fatias a R$ 95 reais. A fatia custa R$ 9,50. Mesmo considerando que o trigo que utilizamos no Brasil é importado e que talvez esse pão leve algum outro ingrediente que não é daqui, talvez a fermentação seja natural e ele leve dias para ficar pronto não acho justo nem aqui e nem na França, onde estão as melhores padarias do mundo, um pão custar R$ 95 reais. Discuti isso em uma mesa de bar esses dias e alguém falou: mas existe demanda e então ele pode custar isso.

Pode? Não pode não. Pelo menos pra mim que imagino quanto sai fazer um pão. Pagar R$ 65 reais por 100g de risoto de açafrão é justo? Bem, o açafrão precisa de 200 mil flores para se extrair 600 mil pistillos, que vão resultar em um quilo de açafrão que sai em média U$ 3000 o quilo. Vi uma matéria uma vez, no Chile se não me engano, que é preciso dezenas de pessoas para colher as flores e depois separem os pistillos. Não preciso dizer que essas pessoas ganham muito pouco pelo trabalho e passam parte do dia agachadas para recolher as flores. Considerando tudo isso, já que vão alguns pistillos no caldo para dar cor ao seu risoto, R$ 65 pilas é justo?

 Você pode argumentar dizendo: poxa, mas se for assim nada é justo então. Não é bem assim. Conheço estabelecimentos que primam pela qualidade da matéria-prima, que buscam adaptar os cardápios à sazonalidade dos produtos e que investem no desenvolvimento sustentável valorizando produtos e produtores locais. Mundo ideal? Talvez. Mas, realmente acredito que a melhor resposta a preços considerados abusivos é não consumir. Simples. A gente vê cada barbaridade e não pode ficar quieto.

Em nome das pretensas “inovações gastronômicas” muita gente vende gato por lebre e cobra os tubos por isso. É claro que existem profissionais talentosos que tem o incrível poder de transformar os alimentos e valorizá-los ainda mais, a esses todo o meu respeito e admiração.

Porém, se tem uma lição que eu não esqueço é aquela: só o cara que não sabe fazer, complica. Como diria a minha mãe: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento.”  Por isso, desconfiemos.

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1ª Expo Sem Glúten no Mercado Municipal de Curitiba

25 abr

O Mercado Municipal de Curitiba eem parceria com  a Associação dos Celíacos do Paraná promove nos dias 13 e 14 de maio, a 1ª Expo Sem Glúten com palestras, exposições e cursos. Os ingressos variam de R$ 10,00 até R$ 40,00 com aulas de culinária que incluem um livrinho de receita. Pelo que eu vi vai até ter aulas de pão, rocambole integral e até barrinha de cereal para quem tem intolerância a glúten. Os ingressos podem ser adquiridos no Mercado Muncipal ou pelo site. O Mercado fica na Rua da Paz, 608.

Para saber mais sobre a doença Celíaca e sobre o evento acesse o link:

Expo Sem Glúten

Nepitelle: doce típico das festas de Páscoa na Itália

11 abr

Não sou fã de doce. Mesmo. Bem de vez em quando me bate uma vontade de um, mas é bem de vez em quando. Daí que está chegando a Páscoa e sem levar em consideração aqui o aspecto cristão da festa, é uma festa em que se come bem, doces inclusive. Muito doce.

Crédito da imagem: GialloZafferano

Pensando nisso fui pesquisar umas receitas não tão doces pra ver se dava uma equilibrada. Encontrei o “Nepitelle” que é um doce tradicional da região da Calábria, da província de Catanzaro e de Crotone. Típico das festas de Páscoa é recheado com nozes, amêndoas, figo, vinho, chocolate amargo e especiarias. O nome origina do termo latino nepitedum que significa a “bainha” e a pálpebra do olho: a forma desse doce, de fato, lembra a pálpebra de um olho fechado.

O Nepitelle no dialeto local é também chamado de nepiteddhi, nepite, nepitejie e é um doce que pode ser conservado por muito tempo. Os Nepitelles são doces de origem árabe e geralmente são produzidos na Páscoa, porém agora também são feitos em diferentes períodos do ano, e não é raro encontrar variantes no recheio. Muitas vezes, ao vinho cozido é acrescentanda compota de cereja preta e figos secos. A bebida mais utilizada é o licor Strega, mas outros também são usados. As cascas cítricas podem ser de tangerina ou limão.

Eu traduzi essas informações do GialloZafferano que tem a receita na íntegra em italiano e também imagens explicativas. Provavelmente irei fazer e então posto as fotos da preparação aqui. A receita pode ser encontrada no seguinte link: Nepitelle  

Miss Dahl e a cozinha sentimental

4 abr

Pense em um sentimento nessa segunda de manhã. Tente imaginar que alimento ou preparação que mais combina com ele. Alguém buzina atrás de você e você acorda para a realidade. Porém, esse mundo idílico existe e atende pelo nome de: The Delicious Miss Dahl: Culinária e emoções, que passa na Fox Life nas quintas às 22h. Acrescente a esse mundo uma ex-modelo loira de olhos verdes (ou azuis) que fala quase sussurrando e largou a vida de modelo para escrever.      

Sophie Dahl  de 34 anos nasceu em Londres e é filha do ator Julian Holloway  e da atriz Tessa Dahl, ela hoje escreve romances e tem especial predileção pela gastronomia. O foco do programa está na sua bela figura e a partir de sentimentos como melancolia, nostalgia e outros,  ela desenvolve receitas que ajudam a “driblar” esses sentimentos ou curti-los se for o caso. Tudo é bem bonitinho, meio retrô, intercalado com vinhetas animadas e bem feitas. Mais um programa de culinária na TV. Será que é só?

Eu vi dois programas até agora e confesso que fico assistindo interessada. De vez em quando ela lê trechos de livros e fala de música. Tudo com uma aura cool e despretenciosa: “não vou ganhar uma estrela no guia Michelin, mas isso está gostoso” ou ainda “não se importe com os queimadinhos, eles são a parte mais incrível da receita.”

A Miss Dahl segue mais ou menos a linha do pessoal que tem blogs e cozinha porque gosta. Na maioria das vezes, são alimentos que suprem cargas emocionais ligados a sentimentos de afeto, comunhão entre amigos, filhos e pais. Ninguém ali está interessado em técnicas culinárias. É o fazer e compartilhar.

Meu amigo que é chef achou o programa uma “putadumafrescura” e disse que desde que o mundo é mundo as pessoas cozinham por sentimento e nem todo mundo tem um vídeo disso. Tá ok. Mas, em contrapartida esse não seria um retorno ao ideário das coisas simples e despretensiosas, ao invés da corrida gourmet que virou a gastronomia?

Eu ainda não tenho opinião formada. Preciso ver uma ou duas vezes. Sinceramente, acho bacana, mas não sei por quê não reproduzo essas receitas depois. Deem uma olhadinha no vídeo e me digam o que vocês acham: