Arquivo | agosto, 2011

Só de hambúrguer vivem os americanos?

31 ago

Se você digitar no Google “Comida Americana” vai encontrar pelo menos uma 100 referências indicando fast food . Entre dezenas de imagens e textos é comum encontrar opiniões de pessoas que “demonizam” a comida americana como ruim, mal feita, extremamente calórica, artificial. É fato de que o fast food nasceu de uma necessidade social e cultural nas décadas de 50 e 60. Com a industrialização e o desenvolvimento, as mulheres passaram a trabalhar fora e assim não cozinhavam mais todos os dias em casa. Além disso, com o aumento da renda das pessoas e a necessidade de se trabalhar mais, era preciso criar algo rápido para ser comido e comprado do carro mesmo.

A indústria da alimentação, uma das mais lucrativas do mundo, percebendo essa necessidade também passou a “criar” alimentos que lembrassem o gosto daqueles que as pessoas estavam acostumadas a comer na infância preparadas pelas suas mães e avós. Temos então a indústria dos congelados, a facilidade da vida moderna que suscita discussões em relação aos conservantes, sódio, gordura e a homogeneização do gosto.

Porém não é só de hambúrguer que vive uma nação do tamanho dos Estados Unidos. Seria inocente de nossa parte acreditar que TODOS os americanos comem bacon e ovos de manhã, não é mesmo? Mesmo porque é um país que foi construído a partir de várias influências culturais. Há pelo menos quatro influências fundamentais:

A culinária dos índios norte-americanos A culinária cajun (dos cajun, descendentes de franceses); A culinária tex-mex, ou seja, de base texana, mas com influência mexicana; A culinária sulista que, em parte, se confunde com a culinária dos negros norte-americanos. (Fonte Wikipedia). Sem contar ainda a influência dos povos que imigraram para os Estados Unidos como os latino-americanos, os italianos, chineses, japoneses, árabes e outros e que também contribuíram para a diversidade gastronômica do país.

 Uma terra de ícones

Costumamos associar à cultura americana a seus ícones. É inegável que eles são mestres em construir essas referências e mantê-las durante anos. Talvez seja por isso que quando imaginamos o que os americanos comem pensamos logo em seu ícone máximo, que é o hambúrguer. Ele é realmente um dos alimentos mais consumidos e difundidos, porém sua origem não é americana. O hot dog é uma variação de sanduíches de origem alemã, mas que se popularizou nos Estados Unidos. Aliás, um dos restaurantes famosos que vendem cachorro quente em Nova York serve o sanduíche com uma famosa vitamina de mamão papaya. Tem até fila pra comprar o lanche.

Dependendo da região varia bastante o que é servido: por exemplo, os king crabs, lagostas e frutos do mar em regiões litorâneas, a comida sulista que privilegia uma alimentação parecida com a nossa comida de mãe aqui com muito milho, batata, carne de porco e gado, frango, peru, ervilhas, molhos mais pesados, tortas e pão. Fiz uma vez um pão de milho que é servido em churrascos, que é muito saboroso. As tortas, aliás, estão presentes em várias regiões e são um patrimônio do país. Eles preparam uma torta de abóbora para servir na ação de graças que é muito saborosa e trabalhosa de preparar. E claro os brownies, whoppies (biscoitos que são recheados com marshmallow) cupcakes, sanduíches, drinques, pizzas à moda de Chicago, Coca Cola, etc, etc. É realmente muita coisa e esse post ficaria enorme se eu fosse tentar falar de tudo.

Mas para que vocês possam conferir receitas, vídeos e informações segue o link (em inglês) de um site bem legal com diversas informações. É um dos meus preferidos o Food Network. Clique aqui: http://www.foodnetwork.com/

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Mad Men

23 ago

Em meio a uma nuvem de fumaça surge Don Draper (Jon Hamm) segurando um copo de bebida. De repente entra em sua sala Paul Kinsey (Michael Gladis), Ken Cosgrove (Aaron Staton) e Harry Crane (Rich Sommer): um redator, um executivo de contas e um comprador de mídia que também fumam e vão logo se servindo de uísque às 10h da manhã dentro de uma sala na agência de publicidade Sterling Cooper na década de 60.

Estou falando de Mad Men, a série criada e escrita por Matthew Weiner (o mesmo de Sopranos) exibida pela AMC e produzida pela Lionsgate Television e que estreou em 19 de julho de 2007. Eu já vejo há algum tempo, mas sempre pegava episódios soltos, ela passa atualmente na HBO e é um primor de qualidade de roteiro, direção, produção… enfim, é por isso que já é uma das mais premiadas com três Globos de Ouro para melhor série e um Globo de Ouro de melhor ator para Jon Hamm. Já levou prêmios no Emmy em “melhor série dramática e melhor elenco em série dramática” e várias indicações para melhor ator. O American Film Institute a escolheu como uma das dez melhores séries de televisão do ano.

Uma das coisas que mais chama a atenção é a perfeita ambientação da década de 60 e também a rica construção dos personagens. Como a série retrata esse período questões importantes na sociedade representados pelos personagens como a mulher de Don, Betty, que é uma típica dona de casa americana e que faz de tudo para manter as aparências, ou Peter Campbell um gerente de contas que é inescrupuloso, dissimulado e intrometido que faz de tudo para passar por cima de outros no trabalho. Há também a figura da mulher que busca se emancipar não apenas sexualmente, mas, sobretudo profissionalmente como é o caso da assistente de Don, Peggy.

Fora o fato de que essa é uma das melhores séries de todos os tempos, há algo que considerei muito interessante: a reprodução de cardápios e pratos da época. Por exemplo, há um episódio em que eles se reúnem com clientes para falar da campanha e servem aquele drinque Muay Thai que todo karaokê que se preze tem que servir, até hoje. O copo é todo enfeitadinho com guarda-chuva em miniatura e aquela casquinha de limão. Para acompanhar canapés  com caviar e creme azedo. Em outro episódio é festa de aniversário da filha de Don, Sally, e a esposa dele prepara os clássicos salgadinhos de festa, mais voltados para adultos, claro: ela raspa o pepino e faz tipo uma barquete com ele recheando com uma espécie de salpicão. Os restaurantes são bem tradicionais, os pratos ainda não tem influência internacional e é interessante ver que apesar da grande quantidade de bebida consumida, eles raramente “harmonizam” os pratos com vinho. Em outro episódio, me deu uma vontade de coquetel de camarão, aquele que fica em um copo alto com camarões e até de tomar Bloody Mary que fica em uma jarra disponível em cima da mesa de reuniões com um talo de salsão enfeitando.

Além disso, é bem interessante ver a relação da mulher nesse contexto. Peter Campbell, o jovem recém-casado, se vangloria para os colegas da felicidade que é estar casado (talvez como forma de justificar essa opção), e em uma situação recebe a ligação da mulher perguntando o que ele quer para o jantar. O que parece ser carinhoso no começo se revela um fardo depois, mas eu não vou contar… A mulher cozinha porque tem que cozinhar, porque ela é dona de casa e precisa ter essa função, não porque quer.

É muito legal ver esse tipo de atenção por parte da produção e claro roteiristas. Isso porque esses detalhes revelam aspectos da cultura americana no que diz respeito à vida social das pessoas. Nos perguntamos: porque é servido caviar em uma reunião com judeus? Esse drinque cheio de adornos revela o quê nessa época e hoje? Se antes essa estética era considerada elegante, hoje o minimalismo é mais valorizado.  Como a agência de publicidade dava a ideia de que era um   tipo de emprego onde os criativos se separavam dos burocratas, acreditava-se que se podia fazer de tudo lá: comer em uma sala de reuniões, fumar e beber.

Claro, que já teve gente que reclamou que a série apresenta um comportamento meio distorcido da publicidade nessa época e que a bebedeira, o adultério e a fumaça são exageradas. Particularmente, conto as horas para ver Don Draper acender seu cigarro, tomar seu uísque e só com uma olhada colocar os medíocres em seus lugares.

Clique aqui e confira informações mais detalhadas sobre o seriado:

http://www.hbo-la.tv/madmen/

Mad Men e os coquetéis de camarão

22 ago

Sei que é safadeza acessar o blog pra dizer que vou postar amanhã, mas é exatamente isso que vou fazer porque estou numa correria e quero me dedicar para falar do meu novo seriado favorito e o verdadeiro retrato da cozinha americana na década de 50. Sem contar que nunca é demais pesquisar melhor para falar de Jon Hamm, o publicitário espetacular de Mad Men.

Amanhã, não deixem de conferir!

E sim: Temperomental vai retornar ao Twitter e ao Facebook.

Quem fiscaliza a comida no shopping?

7 ago

Um dos únicos lugares perto do meu trabalho para almoçar é um shopping de alto padrão em Curitiba. Como tenho pouco tempo pra almoçar, geralmente como em algum lugar que deveria ser rápido, afinal o conceito é de fast food. Mas não é bem o que acontece. Esses dias esperei 30 minutos por um obentô, aquela marmitinha japonesa que tem várias comidinhas em porções pequenas. O sushi veio arregaçado, o brocólis tinha um “caminho” de um bichinho e o missôshiro estava gelado.

Há 1 mês atrás um rapaz de outro estabelecimento tentou me convencer que um filé de salmão levava 25 minutos para ser grelhado. Outro estabelecimento optou por servir pratos executivos e esqueceu do cardápio típico que é mexicano. Mais de 25 minutos por tacos que vieram quebradiços e frios. A propósito: de mexicano o prato executivo não tem nada: a não ser um título que eles inventam pra tentar contextualizar. E o prato de camarão que tem 70% de arroz? R$ 20,00 por arroz?  Claro que há lugares que demonstram respeito pelo cliente. Mas a coisa é braba…

E quando duas pessoas comem no mesmo lugar e as duas passam mal? E quando elas tentam reclamar e não há um único canal de comunicação com o estabelecimento? E um buffet que não higiniza corretamente as hortaliças e verduras? Eu realmente desconfio de um restaurante que sequer lava as folhas que serve. Imagina o que eles devem fazer com a carne. Com base nessas e outras, evito a todo custo comer nesse shopping. Como não tenho o hábito de frequentar shoppings pra “passear” pra mim não faz a menor diferença, mas fica aí a pergunta: quem fiscaliza a comida de shopping?

Cozinhar com pouco: é possível e necessário.

7 ago

Nem uma ressaca pós-formatura me tirava a ideia desse post da cabeça. Estou aqui com uma dor de cabeça daquelas, o estômago virado.. enfim, consequências de uma noite divertida com meus colegas de classe de Gastronomia. Mas, enfim, o papo é outro. Cada vez mais vejo a necessidade das pessoas aprenderem a cozinhar com pouco. Porque é como diz o genial Massimo Montanari, a invenção não nasce apenas da abundância, mas também da necessidade. Particularmente sou daquelas que cozinho com o que tiver na geladeira, na despensa, enfim.  Claro, que gosto de vez em quando de inventar, mas em tempos difíceis a criatividade é a melhor matéria-prima que existe.

Por exemplo, fiz uma noite de belisquinhos só com ingredientes da geladeira e encontrados no posto de gasolina aqui perto de casa:

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tinha um pãozinho velho que eu torrei, esfreguei um dente de alho e cobri com uma pastinha de azeitona preta e atum e coloquei uma rodelinha de ovo cozido em cima. Outro pão velho virou um palitinho de queijo que nada mais é do que uma mistura de requeijão, queijo cheddar, uma gema e maionese. Eu corto o pão em palitinhos e mergulho nessa mistura. Asso por uns 15 minutos e pronto.

Essas tortinhas de tomate seco e requeijão eu comprei prontas e estavam guardadas aqui. Só misturei o tomate seco com maionese e queijo tipo ricota.

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse aqui não dá pra ver muito bem, mas é um sanduichinho de sardinha, cebola roxa e mostarda. Uma delícia.E baratinho. Se fosse pra ver o custo disso, e comprando no posto de gasolina que custa mais caro, não gastei 25 reais. Alguma coisa eu já tinha em casa, mas mesmo assim o custo é muito mais baixo. Melhor do que pagar caríssimo por comida que não vale, né não?

 

Mais que passar no pãozinho

2 ago

Não costumo fazer elogios a produtos aqui no blog porque senão já vai ter gente dizendo que eu recebo pra isso. Não, não recebo. E quando curto algo gosto de comentar com outras pessoas. O elogio não é ao produto em si, mas sim à campanha para estimular novos usos do cream cheese. “Espalhe a leveza” é a campanha, criada pela agência JWT,  para o Cream Cheese  Philadelphia que tem como objetivo estimular mais usos culinários do produto.

No link http://www.philadelphia.com.br/receitas/ultimas.html há várias receitas bem interessantes e fáceis de fazer. Eu sempre faço omelete com cream cheese e fica muito bom.  No canal criado dentro do Cybercook  http://cybercook.terra.com.br/canal_philadelphia.php  há várias receitas e também aquelas mostradas no vídeo da campanha.

É interessante porque estimula as pessoas a pensarem diferente do que elas estão acostumadas e também a valorizar o produto que é de fácil acesso a todos.