Mad Men

23 ago

Em meio a uma nuvem de fumaça surge Don Draper (Jon Hamm) segurando um copo de bebida. De repente entra em sua sala Paul Kinsey (Michael Gladis), Ken Cosgrove (Aaron Staton) e Harry Crane (Rich Sommer): um redator, um executivo de contas e um comprador de mídia que também fumam e vão logo se servindo de uísque às 10h da manhã dentro de uma sala na agência de publicidade Sterling Cooper na década de 60.

Estou falando de Mad Men, a série criada e escrita por Matthew Weiner (o mesmo de Sopranos) exibida pela AMC e produzida pela Lionsgate Television e que estreou em 19 de julho de 2007. Eu já vejo há algum tempo, mas sempre pegava episódios soltos, ela passa atualmente na HBO e é um primor de qualidade de roteiro, direção, produção… enfim, é por isso que já é uma das mais premiadas com três Globos de Ouro para melhor série e um Globo de Ouro de melhor ator para Jon Hamm. Já levou prêmios no Emmy em “melhor série dramática e melhor elenco em série dramática” e várias indicações para melhor ator. O American Film Institute a escolheu como uma das dez melhores séries de televisão do ano.

Uma das coisas que mais chama a atenção é a perfeita ambientação da década de 60 e também a rica construção dos personagens. Como a série retrata esse período questões importantes na sociedade representados pelos personagens como a mulher de Don, Betty, que é uma típica dona de casa americana e que faz de tudo para manter as aparências, ou Peter Campbell um gerente de contas que é inescrupuloso, dissimulado e intrometido que faz de tudo para passar por cima de outros no trabalho. Há também a figura da mulher que busca se emancipar não apenas sexualmente, mas, sobretudo profissionalmente como é o caso da assistente de Don, Peggy.

Fora o fato de que essa é uma das melhores séries de todos os tempos, há algo que considerei muito interessante: a reprodução de cardápios e pratos da época. Por exemplo, há um episódio em que eles se reúnem com clientes para falar da campanha e servem aquele drinque Muay Thai que todo karaokê que se preze tem que servir, até hoje. O copo é todo enfeitadinho com guarda-chuva em miniatura e aquela casquinha de limão. Para acompanhar canapés  com caviar e creme azedo. Em outro episódio é festa de aniversário da filha de Don, Sally, e a esposa dele prepara os clássicos salgadinhos de festa, mais voltados para adultos, claro: ela raspa o pepino e faz tipo uma barquete com ele recheando com uma espécie de salpicão. Os restaurantes são bem tradicionais, os pratos ainda não tem influência internacional e é interessante ver que apesar da grande quantidade de bebida consumida, eles raramente “harmonizam” os pratos com vinho. Em outro episódio, me deu uma vontade de coquetel de camarão, aquele que fica em um copo alto com camarões e até de tomar Bloody Mary que fica em uma jarra disponível em cima da mesa de reuniões com um talo de salsão enfeitando.

Além disso, é bem interessante ver a relação da mulher nesse contexto. Peter Campbell, o jovem recém-casado, se vangloria para os colegas da felicidade que é estar casado (talvez como forma de justificar essa opção), e em uma situação recebe a ligação da mulher perguntando o que ele quer para o jantar. O que parece ser carinhoso no começo se revela um fardo depois, mas eu não vou contar… A mulher cozinha porque tem que cozinhar, porque ela é dona de casa e precisa ter essa função, não porque quer.

É muito legal ver esse tipo de atenção por parte da produção e claro roteiristas. Isso porque esses detalhes revelam aspectos da cultura americana no que diz respeito à vida social das pessoas. Nos perguntamos: porque é servido caviar em uma reunião com judeus? Esse drinque cheio de adornos revela o quê nessa época e hoje? Se antes essa estética era considerada elegante, hoje o minimalismo é mais valorizado.  Como a agência de publicidade dava a ideia de que era um   tipo de emprego onde os criativos se separavam dos burocratas, acreditava-se que se podia fazer de tudo lá: comer em uma sala de reuniões, fumar e beber.

Claro, que já teve gente que reclamou que a série apresenta um comportamento meio distorcido da publicidade nessa época e que a bebedeira, o adultério e a fumaça são exageradas. Particularmente, conto as horas para ver Don Draper acender seu cigarro, tomar seu uísque e só com uma olhada colocar os medíocres em seus lugares.

Clique aqui e confira informações mais detalhadas sobre o seriado:

http://www.hbo-la.tv/madmen/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: