Os Incompreendidos

6 nov

Empresto o título de um de meus filmes preferidos para fazer uma brincadeira com alguns alimentos que considero negligenciados. Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups, 1959) é um filme do diretor francês François Truffaut que narra a vida de Antoine Doinel, um menino de 14 anos que é meio esquecido pelos pais, enfrenta dificuldades com o modelo autoritário  na escola e encontra em pequenos delitos e no cinema uma maneira de fugir e chamar a atenção. Um filme bem bonito e de certa forma autobiográfico.

Os meus incompreendidos, porém sofrem de outro mal. Eles são escorraçados das receitas e esquecidos nos sacolões. Poucos são aqueles que se dedicam a dar uma chance para eles. Desde criança, parece, os incompreendidos são chutados e achincalhados. Ao lado de estrelas como as batatas, mandiocas e tomates, os incompreendidos amargam a condição de serem eternamente coadjuvantes no imenso universo dos hortifrutigranjeiros. Um desses alimentos é a beterraba. Planta herbácea da família das Quenopodiáceas. Rica em ferro é utilizada também na produção de açúcar. Rica em Vitaminas B1, B2 e também em B5 e vitamina C. Quase tudo pode ser utilizado na beterraba as cascas servem como adubo e também como aperitivo, as folhas podem ser utilizadas em preparações como saladas, farofas, refogados e até como recheio de pães e muffins salgados. A beterraba é bastante utilizada em sopas, cremes e saladas.

Há vida para a beterraba além da salada

Quase todo buffet serve a salada de beterraba, cozida até a morte e embebida em vinagre. Não precisa ser assim. Uma sugestão é não cozinhar a beterraba e sim assá-la em papel alumínio por uns 40 minutos. Além de não perder os nutrientes, ela conserva a cor e a textura… Mas enfim, o papo não é esse. Os anos de negligência com a beterraba fizeram com que muita gente já torça o nariz antes mesmo de provar. Receitas deliciosas como o risoto de beterraba, por exemplo, que além de bom é bem bonito visualmente é considerado um prato que “é pra quem gosta muito de beterraba” (lógico, né? Assim como um risoto de camarão é pra quem gosta de camarão….)

Brincadeiras à parte, eu quis fazer algo diferente com a beterraba. Nem tão diferente assim, mas fiz um nhoque (ou Gnocchi) de beterraba e páprica doce. A ideia era dar aquele gostinho da sopa da beterraba, a Borscht que é uma sopa de origem russa. Utilizei os mesmos ingredientes da sopa e fiz o nhoque. Geralmente, o nhoque de beterraba fica muito pálido e esse eu tentei deixar o mais escuro possível e por isso depois que assei as beterrabas, apenas aferventei em água para eu conseguir aquela água bem vermelha. Depois fiz um purê incluindo cenoura, cebola, suco de limão, caldo de carne e a páprica. Se for no inverno sugiro um molho bem forte com músculo cozido na cerveja escura por exemplo, até desmanchar. No verão um molho de limão e creme de leite fica bom. O molho não pode “mascarar” o nhoque já que o sabor é bem delicado. Aproveitei que estava inspirada e também fiz um nhoque tradicional de mandioquinha e cenoura. Você pode fazer aí em sua casa ou restaurante e dar um nome bonito tipo “Duo de gnocchi de raízes”… chique, né?

A foto não é lá 100% e eu tinha acabado de jogar um manteiga de sálvia e não mexi direito.. enfim. Mas garanto que ele é macio e bem gostoso.

Pra fechar, fiz um Bolo Fudge de Chocolate recheado com figo (outro alimento que considero um incompreendido). Tenho uma amiga que fala que figo é comida de adulto e outra que diz que figo é uma verdura que não deu certo… Bem, depois que o pessoal comeu o bolo, acho que mudaram de ideia. Essa massa é simplesmente sensacional e literalmente derrete na boca.   A receita do Bolo Fudge você encontra aqui: http://panelinha.ig.com.br/site_novo/receita/receita.php?id=300059 e o recheio de figo é só pegar aqueles em conserva, aquecer em sua própria calda e processar. Fica tipo uma geléia. Utilize aquela calda pra umedecer o bolo.

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3 Respostas to “Os Incompreendidos”

  1. Trocando letra novembro 9, 2011 às 4:00 pm #

    Mudei minha ótica de que o figo é ” uma verdura que não deu certo”!
    Com água na boca percebi que basta criatividade e acima de tudo disposição para torná-lo uma deliciosa surpresa!

    P.S -> o bolo realmente ficou divino e eu indico..

  2. Cristiano Wagner Hirano dezembro 7, 2011 às 7:55 am #

    Sabrina! Experimenta fazer o nhoc de arroz! Eu sei que o fóco são “os imcompreendidos”, mas lembrei dessa receita!
    No lugar da batata amassada, tradicional, utiliza-se arroz cozido batido no liquidificador.
    Resultado: Um nhoc mais macio e delicado. Muito bom!

    • temperomental dezembro 7, 2011 às 12:48 pm #

      Cristiano, além de ser uma ótima ideia também serve de inspiração para quem tem problemas ou melhor, intolerância ao glúten.

      Obrigada pela dica!
      bj

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