Eternamente jovens

1 dez

Sabrina Demozzi

Li uma “matéria” ontem que fez eu me perguntar se eu sou burra ou estou ficando. Explico: a matéria publicada na Folha.com trazia a seguinte chamada “Receitas que já foram sucesso em restaurantes caem em desuso” daí você clicava para ver o texto e conferir algum aspecto cultural que mostrasse como isso ocorreu  e o que você encontra é um texto com imagens (produzidas) de restaurantes em São Paulo que trazem justamente os pratos que caíram em “desuso” como o Petit Gateau, Estrogonofe, Camarão na Moranga e outros.

 O serviço é completo com preços e informações do local. Em outro link é possível clicar e conferir uma galeria de imagens dos pratos que “foram sucesso e hoje são considerados cafona”.  Considerados por quem? E o “desuso” pode ser comum em São Paulo, mas não pode ser declarado como uma verdade universal, uma vez que aqui em Curitiba, por exemplo, é chique ainda pedir Petit Gateau e comer Camarão na Moranga. Pra muita gente esse último é sinônimo de festa, de receber alguém importante. É carro chefe inclusive em renomados restaurantes da cidade.

Não vou nem falar aqui dos critérios escolhidos para escrever o texto, não sei quais foram, mas sei que ele é no mínimo pouco informativo sobre a questão cultural de se valorizar determinadas preparações em detrimento de outras,  atualmente. Fica claro que o foco era indicar estabelecimentos que serviam os tais alimentos que caíram em desuso- ora, se eles caíram mesmo em desuso porque os restaurantes indicados na matéria ainda o fazem?- e ilustrar com um approach de comportamento. Mas não deu.

Além disso, a discussão sobre alimentos “cafona” é tão batida quanto inútil. E daí que o fulaninho da silva, crítico de gastronomia de sei lá onde não aguenta mais ver Petit Gateau em São Paulo? E daí que o pseudo-crítico do outro blog acha que tomate seco e catupiry se popularizam? Desde quando comida tem que ficar restrita a um grupo de pessoas que acha ser capaz de lançar tendências e ditar o comportamento dos outros? A origem de grandes pratos universais começa no povo e em suas necessidades. É muito superficial achar que as coisas se extinguem simplesmente porque não aparecem mais. E também é ingênuo acreditar que algo tão dinâmico como a gastronomia poderia ficar inerte, imune ao tempo e as mudanças.

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3 Respostas to “Eternamente jovens”

  1. Cristiano Wagner Hirano dezembro 3, 2011 às 8:22 am #

    E a criatividade fica onde? Se formos seguir sempre o legítimo, estaríamos canalizando as possibilidades de inovação!

    • temperomental dezembro 3, 2011 às 12:19 pm #

      Oi Cristiano. Que bom que vc comentou! Tem razão. E esse é o grande contraponto. O que me incomodou, porém, foi a matéria que anuncia algo e entrega outra coisa. E eu realmente acredito na criatividade na cozinha e na inovaçāo, mas também tenho apreço por aquilo que surge antes. Da base. Apareça sempre que quiser. Bj.

  2. Cristiano Wagner Hirano dezembro 5, 2011 às 7:35 am #

    Oi Sabrina!
    Eu não poderia deixar de visitar teu blog! Parabéns, adorei!
    E eu também fiquei indignado com esta matéria! Tudo não passa de interesses não é mesmo?!

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