Dieta Mediterrânea- (Dieta Mediterránea, 2009)

7 dez

Sabrina Demozzi

Ao contrário do que o título do filme possa indicar o filme de Joaquín Oristrell não faz referência à consagrada “dieta mediterrânea” usada por celebridades e afins. É, porém, uma história de amor diferente que tem como pano de fundo a paixão pela comida. Olivia Molina é Sofia, que desde pequena esteve em contato com as panelas no restaurante litorâneo do pai, torna-se chef e envolve-se com dois homens Frank (Alfonso Bassave) e Toni (Paco León). O primeiro vê em Sofia um gênio da cozinha que precisa alçar voos maiores do que a cozinha  do estabelecimento familiar, o segundo mostra-se um homem convencional que tem o desejo de “domar” Sofia e torná-la mãe e esposa. Somado a isso temos a personalidade forte de Sofia e a difícil relação com a mãe, o que mostra talvez uma inveja por parte dessa com a altivez da filha em sair e buscar seu caminho ou incapacidade de lidar com ela. Por outro lado, a mãe quer que a filha estude e tenha um “emprego” de verdade e não trabalhe na cozinha.

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Sofia relaciona-se melhor com os homens, tanto que se envolve emocionalmente e fisicamente com os dois. Enquanto Frank é impetuoso e aventureiro, Toni é o porto seguro, a comodidade. Sofia lida bem com isso e se completa. Nesse ínterim de descobertas pessoais, Sofia cresce profissionalmente abrindo seu próprio restaurante e se aperfeiçoando. Ela “evolui” e essa evolução é retratada com as descobertas na cozinha. Quando a situação pessoal começa a fugir do controle, Sofia vai se tornando cada vez mais técnica e acaba se torna uma espécie de “gênia da cozinha”, uma discípula de Ferran Adriá e substitui as preparações tradicionais por inovações em sua cozinha laboratório.

Não sei se é intencional, mas vemos uma crítica a essa forma de cozinhar. Se antes Sofia era uma mulher arrebatadora, generosa, passional (tal qual sua comida) agora ela é séria, usa preto, humilha funcionários que não executam as tarefas com perfeição e toda a cozinha parece sombria, meio fria (tal qual sua comida, como irá se revelar mais tarde). Não vou contar o final do filme, mas a redenção de Sofia virá quando decidir por qual caminho irá seguir. Óbvio né?

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Não acho um grande filme, ainda que o tema da gastronomia seja tratado aqui de forma diferente. Mesmo que uma relação a três busque trazer uma “pimenta” à história e faça uma bonita referência ao filme “Jules e Jim” de François Truffaut, a premissa é sempre a mesma a “comida tem que ter alma”. Convenhamos que isso já foi explorado com maestria em outros filmes como a “Festa de Babette” e “Soul Kitchen”, para dar apenas dois exemplos. Não é um filme ruim, mas pelo menos em mim não despertou grandes paixões. A antítese entre a “cozinha sem alma” (gastronomia molecular) e a volta aos pratos tradicionais me parece ser um assunto meio batido, ainda que eu admire a posição do diretor em retratar esse ponto de vista.  Ele consegue fazer isso de forma sutil sem soar nostálgico ou contra “a evolução da cozinha”.

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(Dieta Mediterránea, 2009)

Direção: Joaquín Oristrell

Roteiro: Yolanda García Serrano, Joaquín Oristrell

Gênero: Comédia

Origem: Espanha

Duração: 100 minutos

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