Arquivo | fevereiro, 2012

Decepção gastronômica: você já teve?

29 fev

Sabrina Demozzi

Confesse. Pelo menos alguma vez na sua vida você já foi decepcionado por promessas falsas em um restaurante, bar ou produto. Quem já não salivou ao ver fotos suculentas em sites e catálogos e quando a comida chega ela não é nem de longe a pálida representação da foto super produzida?  Ou quando você ouve falar tanto de um lugar que quando vai até ele, acha a comida insossa, questionável e você fica com a sensação de “nem é tudo isso”?

Quem nunca? Poderia divagar aqui que criamos uma expectativa muito grande e quando a situação ocorre, nosso desejo é muito maior do que a coisa realmente é. Isso em partes porque idealizamos uma refeição perfeita com base naquilo que gostamos ou esperamos, como comemos há anos atrás, como vimos em uma viagem e com base em outras referências múltiplas. Se pensarmos assim uma refeição perfeita seria aquela que atendesse a uma infinidade de desejos, difícil de conseguir né?

Associo essas experiências com as relações amorosas: esperar de mais pode ser desastroso, pois a expectativa nunca poderá ser alcançada, de menos, pode revelar uma indiferença, um tanto faz, sensação incompatível com algo tão importante quanto o amor. O melhor pra mim seria então a honestidade, o autêntico. Não me prometa algo que não será cumprido e nem se esforce pra parecer aquilo que não é. Mentira a gente vê de longe. Falsidade também.

Quem já decepcionou teve seus motivos. E você, qual foi a maior decepção gastronômica que você já teve?

Em grupo é mais gostoso

25 fev

Sabrina Demozzi

O título  pode sugerir uma infinidade de coisas que fazer em grupo é mais gostoso, mas me refiro a comer em grupo, ou reunir pessoas queridas para dividir uma refeição. O pânico de alguém fazer comida pra muita gente é se atrapalhar, preparar algo que alguém não goste ou até mesmo errar. O que era pra ser algo descontraído vira uma tristeza, o cozinheiro se estressa e tudo dá errado. Vou sugerir algumas coisas que vão bem para jantares em grupo e também uns truques para você, cozinheiro, não se estressar e curtir.

– Espetinhos à moda de-  Você corta e tempera diversos tipos de alimentos como verduras e legumes, queijo, glúten, e já deixa também a carne previamente cortada e temperada. Leva pra mesa e cada um monta como quer. Dependendo da carne e da quantidade dá até pra fazer naqueles grills elétricos em cima da mesa mesmo. Pra esperar o espetinho ficar pronto, coloque um ou dois tipos de pão, um patê, azeitonas temperadas. É barato, você se empenha apenas pra preparar tudo antes e todo mundo faz como preferir. Dá até pra fazer doces como abacaxi e canela, banana e queijo, derreter chocolate e servir com morangos, enfim… Sugestão: Deixe tudo à mão e vá ajudando os menos habilidosos.

Subhouse – Partindo da mesma premissa da famosa rede de fast food, criei o Subhouse em que você e seus convivas montam o sanduba do jeito que quiserem. Da mesma forma, deixe tudo cortado e disponha os ingredientes de forma acessível. Faça molhos diferentes tipo de mostarda, agridoce ou maionese de ervas. Um ou dois tipos de queijo, frios e verduras. Se for alguém vegetariano, grelhe abobrinhas e berinjelas temperadas com sal, azeite e tomilho. Dois tipos de pãos e pronto!

Tacos- Sai muito barato. Um “kit” de taco encontrado no supermercado sai por R$ 20. Vem 12 tacos, um tempero pra carne e uma salsa mexicana bem apimentada. Você tem que aquecer os tacos por 5 minutos e preparar a carne, os legumes, a guacamole e só. Se quiser pode grelhar frango também. Fiz com proteína de soja escura e vou postar a foto aqui pra vocês verem. O segredo, caso você não tenha uma super chapa ou frigideira, é preparar os pimentões, cebola e frango pouco antes de servir, aquecer o forno e colocar tudo separadinho em uma forma dentro do forno mesmo. Cubra com papel alumínio e vá finalizando seu tomate picadinho, a alface cortadinha, a guacamole e o creme azedo falso. Esse creme eu faço com iogurte natural temperado com azeite e pimenta do reino.

Massas e molhos– Exige uma cozinha um pouco maior, mas não é impossível fazer em um espaço pequeno. Faça dois tipos de molho um ao sugo e outro branco.  Cozinhe dois ou três tipos de massa só em água e sal. Cozinhe brócolis e corte, corte tomate, abobrinha, tomate seco, o que você tiver. Deixe tudo picadinho em recipientes. Deixe manjericão em folhas e também cheiro verde. Deixe queijo ralado na mesa e comece a brincadeira. Cada um pode preparar a massa do jeito que quiser, aquecer o molho e acrescentar ingredientes. Acredite, você supervisiona o trabalho inicialmente e depois todo mundo já faz sozinho. Ideal para grupos de até 5 pessoas em uma cozinha pequena. Se for fazer pra mais, peça ajuda.

4 anos depois

21 fev

Sabrina Demozzi

 

Dia 19 de fevereiro, o blog fez 4 anos. Para comemorar criei a página oficial do blog no Facebook onde será possível visualizar muito mais informações e atualizações. Pra conhecer a página que ainda está em construção, mas já tem algumas coisas interessantes postadas é só curtir. Pretendo publicar informações diversas para os mais diferentes públicos e provocar discussões interessantes sobre gastronomia.

Obrigada a vocês, os mais de 100 mil leitores fiéis desse blog que me dão força e disposição para continuar. Obrigada aos meus amigos e chegados que sempre me dão sugestões de textos e debates. Minha mais sincera gratidão aos comentários positivos ou não mas que me fazem sempre repensar a gastronomia.

Estudar pra quê?

9 fev

Sabrina Demozzi

Eu poderia listar aqui uns 100 motivos que me levaram a estudar a história e a cultura da alimentação, mas não farei isso. Vou aqui dizer qual é o principal motivo que me leva a percorrer um caminho muito mais longo e tortuoso em busca de algo que nem eu sei direito o que é. O motivo é uma pergunta: Por que não? Vários amigos meus me perguntam ou já falam mesmo que é muita burrice ter duas faculdades e não atuar direito em nenhuma delas. O que seria atuar “direito”? Trabalhar em uma redação em Curitiba ou em um restaurante com jornadas exaustivas que vão das 17h até a uma da manhã com um salário de R$ 700? Como todo o respeito e admiração aos heróis que tem que sobreviver com esse tipo de salário enquanto o dono do restaurante colhe os prêmios e enche os bolsos de dinheiro.

Eu não sei qual é o problema que as pessoas veem em quem gosta de estudar, pesquisar. E também não entendo porque estudar gastronomia é considerado algo fútil e hedonista. Tenho um amigo que é jornalista e trabalha em uma redação e toda a vez que eu falo de gastronomia ele me olha como se eu fosse a Ana Maria Braga (nada contra) das Araucárias… Pra ele gastronomia é sinônimo de culinária, receitas e não mais que isso. Ele já me disse inclusive que acha que um mundo com questões tão complexas é perda de tempo estudar esse tipo de assunto.

Será? Será que não devemos nos questionar sobre escassez de recursos, aproveitamento de alimentos e consumo consciente em um mundo que já sofre com o modelo socioeconômico vigente? Será que não é pertinente lembrarmos as pessoas das origens e tradições alimentares que são base da cultura delas? E ainda: por que não oferecer para as pessoas reflexões pertinentes sobre a comida como preço, atendimento, custos, legislação , outras culturas, etc.,? Meu amigo jornalista, isso não seria utilidade pública? Isso não seria jornalismo?

Não existe um curso (ainda!) que especialize um Jornalista Gastronômico em Curitiba. Eu tive que percorrer esse caminho mais longo simplesmente porque não acho que tenho bagagem pra sair falando das coisas sem estudar. Vai demorar? Vai. Mas eu não tenho pressa. Pode me xingar. Sou uma idealista. Combalida pelos reveses da vida, mas ainda acreditando que é possível ser feliz vivendo do que se gosta. E claro, contando pra todo mundo.

Dica de blog- Contrafilé

2 fev

Conheci o blog Contrafilé por intermédio do meu amigo Thiago Valério que é vegetariano e devo dizer que achei o máximo. Não apenas pelo visual do site e o nome, mas também pela proposta dos rapazes em buscar lugares tipicamente não vegetarianos que disponibilizam opções “adaptáveis”, digamos assim, para os vegetarianos em Curitiba. De forma bem humorada eles contam quais são as opções disponíveis em lugares como Burguer King, Au-Au e outros.

Eu fico com um sorriso de orelha a orelha quando vejo alguém ou um grupo de pessoas no caso deles tentando inovar na abordagem sobre a comida, mostrando que dá pra ir além do básico. Ainda mais em Curitiba onde a  crítica gastronômica praticamente não existe. Dei uma olhada nos comentários e claro, como é de se esperar, sempre tem alguém com o coração peludo disposto a atacar quem tem uma dieta diferente. Os meninos reagem da melhor maneira possível nas respostas.