Mão de obra na cozinha: uma questão delicada

5 mar

* Esse texto foi escrito pelo meu amigo André e levanta um debate bem interessante sobre o mercado da gastronomia.  

André Luis Fontana Pionteke

Parte essencial do serviço em bares e restaurantes, a mão de obra qualificada na cozinha é cada vez mais rara 
 
Vivemos um grande paradoxo quando a questão é mão de obra em serviços de alimentação. Se por um lado, nunca foi tão grande a procura por cursos de gastronomia por outro há uma imensa dificuldade em encontrar profissionais de qualidade. Isso se deve em parte à falsa imagem que os alunos que entram nas faculdades de gastronomia têm da profissão. Para muitos, a exposição midiática é sinônimo de sucesso e seria o ideal, porém eles ignoram que para se alcançar sucesso é preciso trabalhar e muito. 

 
Posso apontar pelo menos três fatores que verifico como recorrentes em alguns “profissionais” são eles: a preguiça, o preconceito e a falta de interesse. Preguiça porque muitas vezes o iniciante que não conhece a jornada não quer trabalhar nos finais de semana ou à noite, ora, quem trabalha com cozinha sabe o quanto cozinhar é doação e enquanto todo mundo se diverte, nós trabalhamos. 
O preconceito tem a ver com a imagem que as pessoas fazem do ambiente da cozinha. Para muitos é exploração do patrão, desumano e sem conforto. Não tem nada disso, muito pelo contrario, é um ambiente na maioria das vezes acolhedor, descontraído e que sim, exige, mas há um grande retorno do esforço e o melhor de tudo, na minha visão, é alimentar uma pessoa e fazer isso com paixão e vontade. Já a falta de interesse está relacionada com quem já acha que não precisa mais aprender ou não quer. Sem desmerecer as profissões, mas porque ficar só lavando a louça, quando se tem a oportunidade de ser um auxiliar da cozinha, cozinheiro, enfim, tem uma oportunidade de crescer.

Assim como em outras profissões é preciso que o profissional de cozinha sempre busque se superar. Pesquisas, cursos e a prática diária são alguns dos itens que podem formar um bom profissional. Humildade e vontade de aprender também são muito importantes.

Texto de André Luis Fontana Pionteke- André é formado em Tecnologia em Gastronomia e já atuou como chef e consultor gastronômico. Tem 21 anos e não para de falar em comida.

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2 Respostas to “Mão de obra na cozinha: uma questão delicada”

  1. Bruno Vertuoso março 6, 2012 às 2:28 am #

    caraca hein! pedrada mesmo! mandaram benzasso vcs dois! eu concordo com vc andré e ainda incluo mais um fator: desilusão. como vc disse, a procura por cursos de gastronomia é gigantesca e cresce cada vez mais, assim como a exposição na mídia. e o que rola, algumas vezes, se n muitas, é aquilo, ‘pora, o fulano faz um macarrão com legumes sauté tão fácil e bonito na televisão, q eu também quero fazer isso e me dar bem..’, aí o cara entra num curso, n precisa nem ser facul, faz seus meses de aula, cozinha pra família e tal, ganha confiança, e qdo começa a trabalhar e vê q o buraco é bem mais embaixo, só toma bordoada e fica se perguntando, ‘o q eu estou fazendo aqui?!’ aí o cara larga os bets e simplesmente sai dessa vida, deixando um desperdício de tempo e dinheiro pra trás.. eu acho interessante que a galera começe a se ligar, antes mesmo de fazer um curso, ou começar a trabalhar, que cozinha profissional n é como o top chef ou seus similares, a função exige uma dedicação e um empenho q eu n sei se há muitas carreiras com as quais possa ser comparada. além disso nem tudo são flores. vc vai cair e vai apanhar, no sentido figurado, claro (nem sempre), mas ainda assim é preciso força de vontade, raça e paixão, pra n se desiludir e sair andando. humildade também é importante pacas.
    saudades de vcs!
    beijão!

    • temperomental março 6, 2012 às 11:04 am #

      Bruno, seu comentário é tão bom quanto o texto do André! Adorei seu ponto de vista e devo escrever algo com base em suas ideias. Concordo com tudo! Beijos e saudades.

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