Arquivo | abril, 2012

Mais de 100 sabores de pizza…

24 abr

 

Sabrina Demozzi

De cachorro quente, de pastel e por aí vai. É praticamente impossível que um estabelecimento consiga produzir 10, 20 ou 100 sabores de alguma coisa uma vez que existem apenas 5 sabores reconhecidos por nosso paladar, são eles: o amargo, ácido, salgado, doce e o umami  (que dizem ser um gosto e não um sabor, mas a discussão é longa sobre isso). Você já comeu pizza de jiló? Ou alguma que levasse vinagre na lista de ingredientes? Não né? Então as opções de sabor caem para 2: doce e salgado e a partir daí poderão ser utilizados ingredientes doces e salgados que vão gerar novas preparações. As combinações de ingredientes são, portanto infinitas, mas não geram novos sabores, apenas se utilizam dos que já existem para criar novas preparações. 


Foi uma tendência no final da década de 90 e começo dos anos 2000 de alguns estabelecimentos quererem se destacar não pela qualidade do que oferecem, mas pela quantidade. Daí a aposta, principalmente de pizzarias e estabelecimentos de lanches de atribuírem a qualidade de um lugar com a oferta nababesca de opções no cardápio. Não que não seja legal, acho sinceramente que tudo é permitido (quase tudo, vai), mas existe uma questão por trás disso que é bem importante: não serão 100 opções de “sabores” que vão tornar um estabelecimento bom. Pode ser que nesse segmento esse seja um diferencial, mas acredito realmente que em alguns casos tantas opções (que são muito similares entre si) não trazem nada de novo e ainda, o básico não é bem feito.

Em um rodízio, por exemplo, é essencial que a variedade seja um atrativo. Em um cardápio de uma pizzaria que se intitula a melhor porque tem mais de 60 opções no cardápio, o critério é outro. Por exemplo: ingredientes mais caros nas chamadas “pizzas premium, espeziale (esses nomes que o povo dá pra dizer que custa mais)”. Elas custam mais caro JUSTAMENTE por causa dos seus ingredientes, seria inconcebível ao pagar por algo que não custa aquilo, certo? Mas acontece sempre.

Exceções existem, lógico. Mas com certeza em muitos casos e claro considerando o público, concorrência e etc., não são as infinitas opções que tornam um estabelecimento melhor do que outro que oferece menos sugestões. Particularmente, acho mais indicado ter um cardápio enxuto e bem feito do que 10 páginas de opções meia boca.

Fica a discussão.
 
Curta a página do Tempero Mental no Facebook!

É natural

14 abr

Sabrina Demozzi

Não lembro qual foi a primeira vez que eu comi sanduíche natural, mas uma coisa que eu sempre me perguntei era porque tinham dado esse nome a ele. O sanduíche, preparação cujas origens se perdem na história (uns dizem que um lord inglês não queria perder seu jogo de cartas e disse para o mordomo preparar algo pra que ele pudesse comer ali mesmo na mesa de jogo com as mãos. Ele pegou então uma carne, acrescentou um molho, uma folha e serviu entre duas fatias de pão.). Outros falam que foram os americanos e há quem diga que os romanos já faziam sanduíche muito antes. Bem, eu teria que pesquisar pra afirmar.

A questão aqui, porém é outra: como o sanduíche natural se tornou no Brasil, sinônimo de comida saudável? Nos Estados Unidos na década de 60, principalmente com os movimentos de contracultura e de grupos como os hippies houve uma demanda bem considerável de alimentos mais saudáveis ao invés de produtos industrializados. Além disso, pedia-se valorização de produtos orgânicos e também vegetarianos. Na década de 90, muitas cozinhas começam a se preocupar em servir aos clientes mais verduras, legumes e outros ingredientes que não fossem tão “pesados”.

Já pensou como isso, dito aqui de forma bem superficial, afetou a maneira que nós comemos hoje? O sanduíche natural é um reflexo dessa cultura. Vou especular e dizer que ele é o primo magro dos gordurosos sanduíches das redes de fast food . Acho que uma culinarista na época deve ter pensado: – Bom, mas vou criar um sanduíche que tenha quase tudo o que o outro leva, mas ele vai ser natural. Com pão integral, proteína animal, alface e tomate.” O sanduíche natural desde então é comida obrigatória em postos de gasolina, praia, lanchonetes e padarias. Há quem diga que sua origem remonta às festinhas de aniversário da década de 80 em que as mães faziam aqueles gloriosos sanduichinhos de patê de sardinha. Será?

Acredito que esse tipo de sanduíche tenha sido criado no Rio de Janeiro, onde há várias casas que servem sucos diversos  e sanduíches (naturais). Lá é bem comum os ambulantes venderem o sanduíche na praia como uma opção aos quitutes gordurosos (queijinho, camarão frito) e também até como referência de alimento pra quem é “saudável’ e pratica esportes na areia. Tem a ver com comida de verão e é pra ser algo “fresco”.   Natural como sinônimo de saudável é um conceito que deve ser amplamente estudado por nutricionistas e o pessoal da educação física, então não me arrisco, apenas divago aqui que o nosso sanduíche natural deve estar atrelado ao comportamento de comer de forma saudável, mesmo que isso seja um sanduíche que é algo comumente associado a algo gorduroso.

Isso implicaria em uma preparação que não tenha muito gordura e açúcar (como os sanduíches do Mc Donald´s, Burguer King, etc;) ainda que em alguns casos o sanduíche “natural” leve pouquíssimos ingredientes naturais (como maioneses industrializadas, embutidos, alimentos ricos em sódio).

Você pode ver a receita do sanduíche da foto acima no link: Sanduíche de frango desfiado e milho .

E pode aproveitar pra curtir a página do blog Temperomental no Facebook:

Episódio dos Simpsons satiriza a alta gastronomia e a cozinha molecular

4 abr

No último domingo (1º de abril) foi ao ar pelo canal Fox o episódio 5 da 23ª temporada de Os Simpsons que já havia estreado na TV Americana em 13 de novembro de 2011.  No episódio intitulado “The Food Wife” (numa referência brincalhona ao título do seriado “The Good Wife” que passa no Universal Channel) Marge após ter uma experiência gastronômica com um prato etíope, resolve utilizar esse mote para se aproximar de Bart e Lisa, já que a matriarca da família Simpson sente que eles só ficam com o Homer. Os três então lançam um blog de gastronomia onde narram suas experiências gourmet, tiram fotografias dos restaurantes que visitam e se tornam “gastrochatos” para desespero de Homer.

O ápice do episódio, fora as participações de chefs de TV como Gordon Ramsay, Anthony Bourdain, Mario Batali e outros, são as referências à alta gastronomia e a cozinha molecular e a afetação que na opinião do roteirista do episódio é inerente a esse tipo de cozinha. Em especial, a cozinha molecular é brilhantemente satirizada com blogueiros e comensais reunidos em um restaurante completamente branco, quase um laboratório, onde eles aparecem  degustando as “alquimias” do chef e fazendo comentários “profundos” sobre o tema. A confusão que Homer faz com a “cozinha química” oferece também uma das melhores passagens do episódio em uma referência ao filme de Brad Bird, Rattatouille.

Pra mim, é um dos episódios mais interessantes dos últimos anos, pois traz a temática da gastronomia de forma satírica e não menos argumentativa. Dizem que se até os Simpsons começam a tirar sarro de alguma coisa, é porque alguns temas precisam ser revistos. Concordo plenamente, pois a obsessão pela cozinha e a quantidade infinita de programas e grande exposição midiática fazem dessa área terreno fértil para as mais diversas interpretações, e cômicas também. Por que não?

Talvez alguém já tenha postado no Youtube, mas eu ainda não vi. Quem gosta de comida e dos Simpsons provavelmente vai curtir o episódio!